Homeopatia e Espiritismo Parte II
Pesquisando sobre a história da Homeopatia podemos evidenciar a relação entre ela e o espiritismo em muitos aspectos.
A homeopatia, sistema de saúde complexo de caráter holístico baseada no princípio vitalista e no uso da lei dos semelhantes, foi desenvolvida por Samuel Hahnemann no século XVIII. Após estudos e reflexões baseados na observação clínica e em experimentos realizados na época, Hahnemann sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da homeopatia em suas obras Organon da Arte de Curar e Doenças Crônicas. Nessas obras, Hahnemann apresenta os princípios da homeopatia: princípio da similitude, experimentação no homem são, doses mínimas, unidade medicamentosa e totalidade sintomática. Desde então, essa racionalidade médica experimentou grande expansão clínica, farmacotécnica e científica em várias regiões do mundo.
Samuel Hahnemann, entendia que ela era a revelação de uma lei natural, apontada por Deus. O homem é um ser composto de um corpo, força vital e espírito.
Hahnemann experimentou os efeitos de mais de cem drogas em homens saudáveis, sendo esse o fundamento da construção dessa terapêutica para o restabelecimento da força vital.
O espiritismo e a homeopatia se uniram desde as primeiras ideias propostas por Allan Kardec. Buscando inicialmente apenas a cura espiritual, o espiritismo procurou aprimorar suas propostas, incorporando a homeopatia como elemento viabilizador da cura espiritual, já que era um dos principais motivos que levavam uma legião de fiéis aos centros espíritas inaugurados em vários lugares ainda na década de 1860. A identificação das ideias de “força vital” da homeopatia e de “perispírito” do espiritismo foi essencial, definindo o último como um corpo fluídico dos espíritos, caracterizado por ser etéreo e responsável por desequilíbrios que produziam as enfermidades do corpo biológico.
Hahnemann definia “força vital” como mantenedora dos seres vivos, sendo também considerado precursor da doutrina espírita.
As afinidades entre a doutrina de Kardec e a terapia de Hahnemann ocorreram, segundo historiadores, pelo caráter imponderável das substâncias homeopáticas que encontraria correspondência no caráter, por definição, imaterial dos espíritos. A diluição, assim como a diminuição das doses, teria por objetivo atenuar o peso material do remédio e obter concentrações de energia em estado puro.
Para os espíritas, o homem é composto por uma substância material e uma imaterial ou fluídica. A atuação do medicamento deveria considerar a eficácia sobre a força invisível (ou princípio vital) que encerra, não atuando só sobre o físico, o que faria a alopatia.
A recepção mediúnica de prescrições homeopáticas no Brasil ocorreu pela primeira vez nos anos 1860, pelos doutores Cesário e Melo Moraes. O fato de remédios serem ditados por espíritos a médiuns apoia-se em uma tradição do curandeirismo brasileiro na qual um curandeiro prescreve um tratamento por intermédio de um espírito. Essa prática se tornou corrente no Brasil bem como o uso da água fluidificada, que é uma prática dos centros brasileiros,
Kardec apresentou dados que o espírito de Hahnemann teria se manifestado aos médiuns para afirmar a tarefa de organizar a seita espírita, em 1855, e para afirmar que o kardecismo seria um grande auxiliar da homeopatia no combate ao materialismo e à insensatez médica, em 1875.
A associação entre as duas propostas já estaria selada quando houve a publicação de O Evangelho segundo o espiritismo, em 1864, consolidando-a. Quando esse texto foi divulgado no Brasil, com a tradução, em 1876, do médico e espírita Joaquim Carlos Travassos, introduziu uma perspectiva consolidada de que a medicação homeopática era uma prática sugerida pelos médiuns quando receitavam.
A associação entre homeopatia e espiritismo fez com que a homeopatia, enquanto prática médica, no Brasil, viabilizasse a aceitação da proposta kardecista. Segundo historiadores, os homeopatas que alcançaram maior sucesso na segunda metade do século XIX foram os que confirmaram a imagem imputada de aceitação do espiritismo, como Castro Lopes, Joaquim Carlos Travassos e Bezerra de Menezes. No final do século XIX, os médiuns receitistas seriam os principais responsáveis pelo receituário homeopático nas maiores cidades brasileiras.
Nas sessões havia a prescrição dos medicamentos pelos “médiuns receitistas”, que diagnosticavam pacientes e prescreviam receitas homeopáticas sob a inspiração de espíritos.
Houve muita repressão à prática, os espíritas elegeram um médico clínico homeopata, Francisco de Menezes Dias da Cruz, para presidir a FEB, e persistiu, assim, uma perspectiva espírita religiosa, visando preservar a instituição. O serviço chamado de Assistência aos Necessitados deveria socorrer os enfermos apenas com médicos homeopatas a partir de 1890, mas não houve consenso, e Dias da Cruz abdicou da presidência da entidade e destacou-se no mundo médico como responsável pela reorganização do Instituto Hahnemanniano e como docente no mesmo instituto. Apesar dessas divergências, Dias da Cruz ainda é considerado um exemplo de espírita que dá nome a várias instituições, como é o caso da Sociedade Espírita Dias da Cruz, em Porto Alegre.
Posteriormente a separação mais efetiva da doutrina médica homeopática, da prática religiosa só teria ocorrido a partir da década de 1930.
Fontes consultadas:
- https://www.scielo.br/j/hcsm/a/VhLHcswqy8pkGJDLTk8tzZp/? lang=pt#:~:text=V%C3%A1rios%20elementos%20podem%20aproximar%20a,corpo%2C%20for%C3%A7a%20vital%20e%20esp%C3%ADrito.
- http://iedc.org.br/

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