A CHEGADA DA HOMEOPATIA NO BRASIL. O LEGADO DO DR MURE
A homeopatia chegou ao Brasil em 1840 pelo médico francês Dr. Benoit Jules Mure, um discípulo direto de Samuel Hahnemann. Ele chegou ao país depois de realizar uma peregrinação na Europa, onde difundiu e divulgou os princípios da então nova arte médica.
Quando desembarcou no Rio de Janeiro, a bordo da barca francesa Eole, em novembro de 1840, Mure estava com 31 anos de idade e repleto de projetos. Sua história repete a de muitos outros: recuperava-se de uma tuberculose pulmonar. A moléstia o acometeu bem jovem e como tantos portadores de tísica, foi desenganado depois de uma temporada rodando pelos médicos e clínicas parisienses. Mure submeteu-se ao tratamento homeopático ministrado por Sebastião Des Guidi, também discípulo de Hahnemann e introdutor da homeopatia na França. Mure recuperou-se.
Em 21 de novembro de 1840 desembarcava no Rio de Janeiro o médico francês Benoît Mure, que se tornaria o introdutor da homeopatia no Brasil, chegando a dispor de sua fortuna pessoal para difundir a medicina e direcioná-la para o tratamento de escravos e dos “excluídos pela sociedade.”
Oito anos após sua chegada e todo o processo de introdução, Mure deixa o Brasil. Partiu deixando a missão cumprida, tendo implantado ambulatórios populares no Brasil império. Cidades como Rio de Janeiro-RJ e Salvador-BA foram as principais, tendo diversos ambulatórios gratuitos, ajudando assim a difundir a homeopatia no Brasil. É importante destacar também que o pensamento de Mure e sua vontade de criar uma cultura de homeopatia no Brasil tinha também o viés social. Os mais pobres eram aqueles que não tinham condições de acesso à medicina tradicional. Mure também foi quem introduziu a ideia de formação de um sistema de homeopatia forte, pois influenciou diversos profissionais a se aprofundarem e se especializarem na área.
Mure tenta devolver a vitalidade ao pensamento médico do recente império brasileiro. Faz preleções pelo futuro da arte médica, é prosélito de uma medicina social mais ativa, passa a defender significados e propósitos de sua particular concepção dos objetivos da saúde pública.
Ele inclui em seu projeto o tratamento dos escravos e das classes sociais sem acesso à medicina da Corte. De fato, a homeopatia foi, durante todo período de escravidão, a única medicina usada pelos escravos, uma vez que reunia duas qualidades indispensáveis: baixo custo e eficiência.
Os consultórios gratuitos foram criados pelos homeopatas em 1843 e a Academia Imperial de Medicina, também resolve abri-los em 1848.
Já com a saúde abalada, Mure despede-se do Brasil, de onde parte em abril de 1848.
Depois da partida de Mure – que falece no Cairo, dez anos mais tarde, em 1858 –, observa-se o surgimento de novas organizações homeopáticas: "Sociedade Hahnemanniana", "Academia Médico-Homeopática", assim como cresce o número de publicações clássicas e originais.
Os homeopatas pioneiros, incluindo Mure e seus colaboradores, fizeram pela difusão da homeopatia neste país, com seus erros e acertos, só pode ser definido, sem exageros apologéticos, como um trabalho excepcional. Por isto seu trabalho teórico é de uma importância insubstituível, tanto no entendimento da situação político-institucional atual e pregressa da homeopatia brasileira, assim como da própria prática clínica de hoje.
Naquela época, o Brasil não possuía autonomia para a produção dos medicamentos, sendo as matérias-primas homeopáticas (tinturas, minerais, vegetais) importadas, principalmente da Europa.
Fontes consultadas:
- https://www.shfh.com.br/post/dia-nacional-da-homeopatia-21-nov
- Obra sobre homeopatia escrita pelo médico homeopata Paulo Rosenbaum, “Homeopatia sob medida”:

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